Não sei se porque estou no inverno astral, se é porque está havendo solstício, se é porque estou amadurecendo, se é porque tenho pensado muito neste assunto ou se é um mix de tudo isso. Só se que sempre tive dúvida do “Porque” não ter dado certo algumas coisas na minha vida, ações do coração. Conversei como uma amiga que teve coragem de achar essas respostas, ou tentar achar, porque incrivelmente tem coisas do “além” que não têm como saber o porquê que acorreram. Então pensei, porque eu não tomo coragem também? Tirar o gostinho da dúvida da alma e do coração, sem medo de derrubar lágrimas e enfrentar esses monstros.
Paralelo a este acontecimento, li o livro “Quem mexeu no meu Queijo”, o livro pode ter vários entendimentos, eu tive muitos. Um deles foi sobre a comodidade, tem algumas coisas que nos incomodam, mas por medo da mudança, acabamos aceitando essa situação, mesmo sem aceitar, entendeu?
O livro, resumido rapidamente, sem a riqueza que ele possui, conta a historia de duas duplas, uma de ratos, chamados Sniff e Scurry e outra de duendes, Hem e Haw. Ambos corriam através de um labirinto à procura de queijo para alimentá-los e fazê-los felizes. Todos os dias os ratos e os duendes procuravam no labirinto seu próprio queijo especial. Sniff e Scurry, possuindo instintos aguçados, já os duendes, usavam seus cérebros. Ambas as duplas acham um posto repleto de queijo, porém quando esse queijo acaba, os ratos seguem em frente, enfrentam o labirinto novamente, já os duendes, presos pela comodidade ficam apenas retornando a este antigo posto na esperança que o queijo reapareça… A historia gira em torno dessa comodidade, desta mudança.
Uma frase que me chamou atenção: “Quanto mais rápido você se esquece do velho queijo, mais rápido encontra um novo”. Acho que isso reforçou minha vontade de curar feridas antigas, para assim poder me aventurar em situações novas novamente.
Doe esse processo, não é fácil rever coisas que machucaram, para assim poder costurá-las. Precisa de coragem, se eu falar que foi fácil escrever um texto e mandar para meu ex, estarei mentindo. E o medo da resposta? O medo da resposta foi igual ao alívio. Percebi que sempre falo o que penso com tanto zelo, com tanta culpa e cuidado para não ferir, que acabo deixando que esse nó na garganta me machuque, acabo carregando este peso sem necessidade. Por medo.
Não tem uma injeção na testa de coragem, mas tenho impressão que deixamos que a vida nos dê injeções de angústia, pavor, covardia e comodidade. Quero me jogar no labirinto quando perceber que as coisas já não são como antes.
Precisava tirar a culpa das costas, culpa essa que nem é minha, não é de ninguém. Surgiu da falta da fala aberta, do sorriso sincero e da lágrima verdadeira. Surgiu e está em processo de desaparecimento, não quero que ela me pertença mais.
Sabe aquela ferida que doe quando ainda pensa nela? Doe? Então ainda ela está aberta. Estou à procura da cicatrização.
