Eu que sempre me considerei uma “manteiga derretida” me pego com a seguinte dúvida: Seria eu insensível? Após tantas tragédias que ocorreram acabei me sentindo mal por não me sentir mal. Após analise sobre este fato irrelevante na vida de vocês, resolvi que sou sensível demais para me comover com determinadas coisas.
Digo coisas alheias porque com as coisas que acontecem comigo ou mais próximas obviamente eu me abalo, como todos com coração. Enfim, esclarecerei melhor este meu novo pensamento para vocês, caros leitores.
Tem coisas que são naturas da vida, tipo a morte, exemplo mais clichê creio que não existe. Ela vai chegar uma hora para todo mundo, ela é triste, mas dependendo do peso que você dê ela pode ser considerada libertadora. Não que eu deseje que todo mundo morra para se libertar, acontece que ficar dando peso para uma morte não é bom nem para quem sofre e nem para quem partiu.
Lá vamos nós, vamos pensar na energia das coisas, onde coisas entendemos como ações, pensamentos e sentimentos. Cada pessoa tem uma energia, quando entramos em contato com uma pessoa sua energia pode ou não interferir na nossa, isso depende da abertura que nos permitimos ter, mais independente disso a energia da pessoa nos rodeia por um tempo mesmo depois que ela se afasta de nós.
Quando alguém falece, a energia dela ainda fica no ambiente por um tempo, isso é a minha forma de ver, não afirmo que é a correta, enfim, temos a opção de aceitar o ocorrido e deixar a pessoa partir por inteira, ficarmos apenas com a saudade e o respeito, opção mais digna para ambas as partes. A opção menos digna seria pesar esta perda, sofrer mais do que aquele “tempo de luto” e segurar a energia da pessoa, ficar remoendo a situação, se gastando com isso, fazendo mal para si e para quem está à volta.
É importante ter o luto sim, que a meu ver é se recolher internamente, resolver-se com o ocorrido, libertar emocionalmente quem já se foi fisicamente e ficar inteiro para seguir em frente. Me perdoe quem discorda, quem acha que escândalos, exageros, declarações públicas, manifestos barulhentos e brigas vão levar a algum lugar. Homenagens são bonitas sim, mais há diferença entre elas e “falsos” sentimentos.
Foi pensando nisso que pensei sobre minha sensibilidade, sempre vejo um artista morrer e do dia para noite milhões de fãs até então despercebidos aparecem, milhares de fotos, passeatas, discussões… Me espantei comigo mesma, porque havia casos onde os falecidos eram pessoas que eu apreciava o trabalho, mas achei tão exagerado a maneira que “alguns vivos” recebiam estas mortes que comecei a pensar se era “coisa deles ou falta de coisa minha”.
Foi então que percebi que não era falta de abalo com a perda ou falta de sentimento, era falta de por peso nisso. Há tanta coisa a mais para “fazer barulho” do que perdas inevitáveis, que não importa a importância que as pessoas deem, são irreversíveis, não voltam. Faço barulho pela resolução da desigualdade, para ter mais amor na Terra, para conscientização das pessoas, pela prosperidade da música boa, para que mais pessoas plantem árvores e para tentar salvar as pessoas que ainda estão vivas e podem ser salvas.
Muitas pessoas vivem do passado, reclamam das coisas que já aconteceram, das coisas que já se foram, das coisas que já mudaram, das coisas que já foram finalizadas… Quero ver gente fazendo barulho para o presente. A população se quiser pode mudar o que esta errado, pode fazer isso agora mesmo, não tem a necessidade de ver as propostas, as pessoas, os sonhos, as ideias e as conquistas se partindo, para só então fazermos algo, porque depois que essas coisas se vão, qualquer escândalo para elas se torna inútil.
É aquela questão da auto sabotagem, do peso das coisas, do amor próprio e do querer. As coisas acontecem por algum motivo, podemos não entender, não aceitar e não desejar, mais tem coisas que são independentes de nós. Tragédias, perdas, acidentes, injustiças… São coisas horríveis sim, e temos que pensar nelas, examinar o porque aconteceram, tentar pensar em um solução para que não se repitam, ignorá-las claramente é a pior opção, ser apenas racional ou apenas sentimental não adianta em nada, por isso tempos os dois lados do cérebro, para equilibrarmos.
É o que estou desejando para todos nós, equilíbrio. Quando conseguimos manter um equilíbrio em nossas atividades, pensamentos, sentimentos, realizações e em nosso próprio tempo, tudo se ajeita e caminha para o melhor, ponderação, calma e prudência nunca fazem mal minha gente.

‘Menina’ achei excelente!
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