O rio era muito barulhento.
Vários peixes viviam no longo, longo rio. Geração sucedia geração e todos seguiam nadando de acordo com o fluxo do rio. Era natural a todos eles que fossem para onde o rio os levava… Todos menos um, que causava grande baderna.
Perturbava a harmonia local com perguntas incessantes que ninguém respondia:
– Por que devemos ir? Por que não paramos? Ou melhor, por que não voltamos? Passamos por alguns lugares muito bons, poderíamos ficar por lá. Quem garante que é seguro à frente? E se houverem peixes ou outros animais maiores que nos devorem? E se não houver comida? Talvez nem mesmo haja água! Quem decidiu que precisamos ir? E quem disse que realmente há algo à frente? E se não houver um lugar a chegar?
Certa vez um peixe mais velho o abordou:
– Jovem, confie no rio.
O peixe mais jovem ponderou:
– Como posso confiar no rio, se não sei para onde ele vai?
O peixe mais velho respondeu:
– Como pode duvidar do rio, se não sabe para onde ele vai?
Houve silêncio.
Imagem: Luci Rossa
